Garantido realiza ensaio no Bumbódromo como se fosse “dos veras”

Se no jargão futebolístico a máxima é “Bola pra frente que o jogo é de final de campeonato”, o Boi Garantido adentrou a arena do Bumbódromo na noite desta terça-feira, 26, imaginando-se estar na sexta-feira, 29, e fez de seu ensaio um prelúdio de sua apresentação oficial. Tamanha era a atmosfera de “tá valendo” que o Boi do Coração pôs seu time de fiscais à postos e em jogo.

Distribuídos como se fosse, de fato, uma apresentação contando pontos, camuflou erros de regulamento e encenou algumas circunstâncias para testar seus “homens e mulheres do regulamento”. Outro exemplo disso pode ser visto e notado no comportamento e na postura do apresentador Israel Paulain, que conduziu toda a apresentação dirigindo-se às três cabines de jurados. Mais que isso, apresentou transportado para a primeira noite como se estivesse incorporado a si mesmo já na disputa real.

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O Boi Garantido iniciou sua apresentação com uma trilha especial sob a declaração: “Eu Nasci para Ser Vermelho (César Moraes) conclamando os “Perrechés do Brasil” (Vanderlei Alvino/Ivo Meirelles e Sandro Putnoki) sob o discurso da resistência, sendo emoldurado pelos grupos cênicos e folclóricos ao som da toada tema de 2018 “Auto da Resistência Cultural” (Vanderlei Alvino e Geandro Pantoja). Seguido pelo Auto do Boi Tradicional em uma versão ainda mais teatralizada. O tripa Denildo Piçanã chegou para bailar com o branco garrote de coração na testa em sua “Décima Quarta Evolução” (Tadeu Garcia).

Um clima tribal tomou conta de arena, adentram as tribos encarnadas para a encenação da lenda amazônica “Cacique Ajuricaba” (Marlon Brandão) de alegoria assinada pelo artista Sorin Souza. A mais bela da aldeia chegou para defender seu item com muita expressividade e garra, reforçando o clima tribal para “Pindorama” e “Etinias” ambas de Enéas Dias, Marcos Moura e João Kennedy.

O clima mudou e ganhou um ar mais meigo: era o elemento branco da brincadeira, a Sinhazinha da Fazenda, que estava chegando para brincar com seu boi. O grande momento da apresentação (ensaio) foi a encenação da toada “Consciência Negra” de Paulinho Dú Sagrado com uma performance do levantador Sebastião Jr. Tocando um tambor africano e tendo como moldura coreográfica um balé de dançarinos negros (a Comissão de Frente da Unidos do Tuiuti) que realizou uma coreográfica forte e impactante, ao ponto de ser ovacionada pela galera encarnada.

Era a hora da perreché da gema ergue o seu “Estandarte da Baixa” (Paulinho Dú Sagrado) e afirmasse no item. Voltam as tribos para o centro da arena para a coreografia especial de “Couro dos Espíritos” (Rafael Marupiara e Ronaldinho Barbosa Jr.). Uma preparação para o ritual assinado pelo artista Oséas Bentes: “O Sonho de Kanipayê-ro” (Paulinho do Sagrado. Atmosfera preparada para a chegada do pajé dos pajés André Nascimento, que este ano completa 20 anos de arena. A apresentação ou ensaio acabou com a apoteose dos itens do Boi Garantido ao som de “Perrechés do Brasil”.