O gigantismo das alegorias do Boi Caprichoso surpreende

O Festival Folclórico de Parintins sempre chamou atenção pelo seu tamanho não só como evento, espetáculo e ou festa popular. Não distante disso, o Boi Caprichoso tem no gigantismo de suas alegorias como uma de suas marcas registradas.

Para o festival deste ano, o boi da Francesa e do Palmares reforça essa marca e aposta na ousadia e na criatividade de seus artistas. Em comparação com o festival de 2017, o tamanho dos módulos e estruturas alegóricas é de 30% superior.

O Portal de Parintins, na manhã desta segunda-feira, 25, realizou visita ao Galpão Central Mestre Jair Mendes e conversou com alguns dos artistas responsáveis pelas alegorias do projeto “Sabedoria Popular – Uma Revolução Ancestral”.

Boitatá – Titã, guardiã e Mãe das águas

Considerado entre seus pares como um dos grandes mestres da arte parintinense, o artista plástico Juarez Lima assina o módulo alegórico que será apresentado na exaltação folclórica. Com uma nova proposta, um novo conceito, a grande cobra vem trazendo em seu corpo a degradação que o homem causa à natureza, o lixo que polui as águas de uma maneira haitech e um olhar caboclo. Medindo 40 metros de profundidade a estrutura atingirá 19 metros de altura. Ouça o que diz o artista:

 

 

Traidor – Dos dez segredos ao pó da criação 

Consagrado no cenário dos grandes artistas e de trabalhos campeões, Júnior de Souza assina o ritual da primeira noite “Traidor”. A cenografia contará a história de Jurupari que confiou a Uwari a missão de construir a “Peguaua”, de guardar os nove instrumentos recomendando que reservasse um lugar para ele (Jurupari) e que jamais revelasse o segredo. O que não aconteceu, sendo o traidor castigado: virando pó. Ao cair no chão, do seu pó surgiram toda a sorte de bichos, insetos, e répteis.  A cenografia mede 32 metros de boca de cena, 20 metros de profundidade e 24 metros de altura. Além de cenógrafo, conselheiro de arte acumula a função de diretor de arena responsável pela entrada, montagem, desmontagem e saída das alegorias. Esta semana entregou ao Conselho de Arte a planta cenotécnica de 2018. Ouça o que diz o artista:

 

 

Apocalipse Xamânico Yanomami – O monstro Xauara da cobiça 

Responsável pelo ritual sensação de 2017, o jovem artista Kennedy Prata assina seu segundo ritual solo, o “Apocalipse Xamânico”. A cenografia relata a reação dos Yanomami ao presenciar a chegada dos brancos com máquinas para garimpar a terra à procura de ouro. As máquinas eram vistas como grandes monstros que destruíam a floresta e aterrorizava os indígenas. No transe de Kopenaua o espírito de um grande macaco alertava sobre a vinda do mal e das vespas gigantes. Com 32 metros de boca de cena por 20 metros de profundidade  a estrutura atingirá 24 metros de altura. Ouça o que diz o artista:

 

 

Teatro Amazonas – A beleza pela dor 

A figura típica do seringueiro assinada pelo artista Glaucivan da Silva contará a história negligenciada pela própria história: a dor dos negros e seringueiros para a construção do Teatro Amazonas.

Símbolo do poder da borracha e de uma elite cabocla que sonhava com os ares e a elegância de Paris. O monumento custou muito suor, dor e lágrimas para que fosse erguido o símbolo maior do Estado do Amazonas. Os negros proibidos de andar entre os senhores da borracha e isolados no quilombo de São Benedito na Praça 14, a exploração do seringueiro e a beleza da floresta são o pano de fundo da alegoria. A estrutura mede 36 metros de boca de cena por 14 metros de profundidade e alcançará 17 metros de altura. Ouça o que diz o artista:

 

 

Artesã e saber dos mestres-artistas parintinenses

Estreantes em alegorias os artistas Glemberg Castro e Makoy Cardoso assinam a figura típica da última noite. No contexto da estrutura vem exaltando talento da artesã que transforma o que a natureza descarta em arte. Em um segundo momento a alegoria se transformará em uma exaltação folclórica com representações e homenagens aos mestres do saber ancestral: os artistas da ilha. A estrutura alegórica mede 50 metros (25 metros de profundidade por 25 metros de boca de cena) e alcança 18 metros de altura. Ouça o que diz o artista:

 

Foto: Elinaldo Tavares (Fanpage Cenas da Ilha)