Musicalidade do Boi Caprichoso propõe revolução de Festival

Toadas foram trabalhadas pelos produtores musicais para um novo momento no espetáculo boi de arena

Dramaturgia

 O conceito é a principal marca adotada pelos espetáculos do Boi-Bumbá Caprichoso para revolucionar e dinamizar o Festival Folclórico de Parintins nas últimas décadas. O projeto boi de arena 2018 “Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral” já se apresenta com uma nova estética no âmbito de toadas estratégicas para os desfechos artísticos na arena do Bumbódromo. A musicalidade, com mudanças direcionadas à parte teatral, é a aposta do presidente Babá Tupinambá, o vice Jender Lobato e o Conselho de Arte para o Boi Caprichoso erguer o título de bicampeão do festival de Parintins no ano de 2018.

 

Mudanças e musicalidade

 O músico Neil Armstrong afirma que há mudanças nas toadas de galera e genéricas em 2018, diferente dos últimos dois anos quando a trilha sonora era gravada com a participação de vozes de torcedores. Com isso, junto com os demais produtores do CD 2018: Labamba, Sidney Rezende e David Assayag, Neil trabalhou a força da musicalidade nas toadas livres, com arranjos arrojados de metais, vibrantes, na busca pelo alto nível do repertório. Nesse aspecto, o repertório do CD 2018 será um divisor de águas no festival, a começar pela ousadia na musicalidade.

Conforme o produtor musical, as toadas estratégicas foram trabalhadas de acordo com a proposta de arena e contexto definido pelo Conselho de Arte. “Essas toadas são pensadas com base em cada tema e com certeza teremos muitas surpresas. Por algumas toadas que a galera já ouviu, podemos perceber algumas mudanças em 2018”, frisa. Com mais de 20 anos de experiência na função de músico do Boi Caprichoso, Neil Armstrong defende que a cada ano o bumbá precisa evoluir e ter algo diferente para o espetáculo, sem mexer na essência da musicalidade, mas com nova linguagem e metodologia.

Trilhas para dramaturgia

No repertório do projeto de arena 2017, o compositor Ronaldo Barbosa experimentou uma nova fórmula musical, mais voltada a dramaturgia e teatral, com a toada “Presságios”. Como o trabalho deu certo e teve funcionalidade na arena, o poeta apostou as fichas nesse estilo, ao compor a toada “Traidor” para o Boi Caprichoso inovar no festival de Parintins 2018. “Já era um projeto bem antigo fazer esse tipo de toada com mudanças no andamento rítmico. Foi uma sacada que demorou um pouco para entrosar música, coreografia e alegorias. Acredito que os resultados são satisfatórios”, pontua.

Pioneiro nas toadas específicas para o espetáculo no festival, com apelo indígena, desde a década de 1990, o compositor diz que, antes mesmo de o tema 2018 propor revolução, já pensava em mudanças no estilo de compor para apresentar um trabalho focado na dramaturgia. Em parceria com Simão Assayag, Ronaldo Barbosa assina ainda as toadas “Boto Romanceiro” e “Sissa: Uma História de Amor” no CD Caprichoso 2018. “Surgiram essas ideias e graças a Deus eu as coloquei em prática. Acredito que essa nova proposta é um ganho muito grande para o espetáculo”, crê. Toadas antropológicas. Ao completar 11 anos de história como compositor do Boi Caprichoso, Geovane Bastos bebe em diversas referências literárias e, com o passar dos anos, se relaciona com escritores do Brasil que lhe encaminham acervos para fonte de toadas temáticas. Entre as novas criações dele, destaca-se “Yanomami: Apocalipse Xamânico”, fruto de mais de sete anos de pesquisa, inspirado nos relatos do líder indígena Davi Kopenawa sobre as consequências da exploração mineral de ouro na reserva localizada nos estados do Amazonas, Roraima e em parte da Venezuela.

Geovane Bastos alia musicalidade com a materialização da toada para os espetáculos do Boi Caprichoso. “Quando propomos algo para o boi, seguimos uma linha de pesquisa, de estudo, uma ideia montada em cima de vários elementos, que busca não só a musicalidade, mas também a parte visual. Faz parte do espetáculo a materialização dessa música e apresentamos elementos, tanto em letra, quanto em pesquisa. As mudanças são essas e eu me proponho a fazer isso, de colocar algo além da música, para materializar os elementos na parte visual do espetáculo e agregar valor ao projeto”, revela o autor de grandes toadas do Caprichoso.

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