Na Baixa o som; Na Francesa a “Marrom”. Fim das férias!

Por Nárnia!

No mundo bovino, porém cão mais cão do que bovino o ditado que diz que os últimos serão os primeiros não fugiu à regra. O Boi Garantido apresenta seu CD oficial à Nação Perreché. Ao Boi [campeão] Caprichoso cabe correr, haja visto que começou bem antes seu processo de gravação. As férias carnavalescas do cretino colunista acabaram, mas os rebuceteios tribais só começaram: vamos!

 

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ENTREGUE!

Esta semana o Studio ABM, de Alyson Low, entregou o CD “Auto da Resistência Cultural” finalizado para os mandatários da Baixa e seus produtores. Dentro do cronograma encarnado.

EM ESTÚDIO!

Também nesta semana o ABM Studio abriu suas portas para receber os produtores da Francesa para o reinício dos trabalhos de gravação do CD “Sabedoria Popular – Uma Revolução Ancestral“.

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APROVADAS

O TCE-AM (Tribunal de Contas do Estado do Amazonas) aprovou as contas do ex rubro presis, Adelson Albuquerque referente ao seu último ano de mandato.

DUAS

Dos três anos à frente do Boi do Povão, Adelson obteve duas contas aprovadas por aquele tribunal: as de 2015 e 2017. Vale lembrar que em 2016 não houve patrocínio do Governo do Estado ao Festival de Parintins.

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Meu velho!

Aqui estou. Curumim alesado.

Pano rápido?

Manda!

Qual a cor que combina com o azul?

Quase todas: exceto uma.

Qual?

O vermelho! Em hipótese nenhuma.

Off Line.

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As vezes o silêncio é mais ensurdecedor que um tiro de canhão. No âmbito bumbalesco tribal, então!

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* A grande novidade da Francesa e do Palmares, a nova cor que se junta ao azul, foi anunciada neste sábado (24): Alcione.

* A sambista maranhense, ícone da negritude e do folclore popular de sua terra e do Brasil, fez uma participação especial do CD blue deste ano na toada “Boi de Negro“.

* A participação de Alcione é um link cultural que abraça o projeto do Boi Caprichoso de forma natural. É significativo e contextual: o Bumba-Meu-Boi referenda e chancela o Boi-Bumbá [de estrela na testa].

* O presis blue, Babá Tupinambá, está de parabéns pela “aquisição”. Que também, diga-se de passagem, não deixa de ser uma “resposta” a super exposição/repercussão da toada “Perrechés do Brasil“, provando que não está morto!

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* A produção do CD blue retornou aos trabalhos correndo contra o tempo. Oficialmente, o atraso nas conclusões dos trabalhos foi a espera da resposta de Alcione.

* Porém, Bico Doce (senhor supremo e absoluto do mundo bovino) cantou ao cretino colunista que o atraso se deu por conta da ausência de metais nas toadas do CD da Galera.

* Ou seja, o Boi Caprichoso saiu só estúdio para a entrada do Boi Garantido sem finalizar as primeiras dez toadas de seu repertório.

* Segundo a ave, os metais foram gravados na última quarta-feira (21) e as obras serão finalizadas nesta semana com a gravação dos últimos solos de teclados.

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* A segunda parte do CD, as estratégicas, foram iniciadas paralelamente (cordas e percussão). A previsão de conclusão dos trabalhos é de até quinze dias. A promessa é de um grande resultado.

* Enquanto isso, na Baixa do São José: só festa e alegria (para a grande maioria dos torcedores) com a apresentação do rubro CD na última sexta-feira (23).

* Pode-se questionar quaisquer fatores no rubro CD, menos o fator qualidade musical: isso é inquestionável. Um CD muito bem produzido e gravado.

* Para o cretino colunista um bom CD é o qual se pode ouvir e sentir prazer em fazê-lo. Nesse ponto, o rubro CD também é inquestionável.

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* O CD red possui um andamento cadenciado que maximiza a audição tanto quanto o canto das toadas. Algumas toadas um tanto aceleradas e de dicção comprometida, tiveram o tom “baixado” e as que estavam em um tom “sonolento” ganharam um tom acima com nipe de metais. Isso deu fluidez melódica à obra.

* Os cantos de galera e as inserções dos backings (os canários tenores com alma de anjos da Baixa do São José) fizeram um desenho musical harmônico qual uma moldura para a voz principal e os arranjos impecáveis dos produtores.

* Por falar em arranjos, este fundamento foi a gênese do sucesso alcançado com o rubro CD. Obras grandes não sofreram alterações traumáticas, foram apenas melhoradas.

* Ao mesmo passo que as médias ficaram grandes e as minúsculas ganharam musculatura, proporção e dimensão.

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* A ouvir o CD red 2018, impossível não notar que é um dos melhores trabalhos fonográficos do Garantido nos últimos dez anos, antes o Emoção (2009); o Miscigenação (2011) e o Fé (2014). Um detalhe que chama a atenção é que nesse CD, obras que entraram grandes saíram ainda maiores e toadas “mais ou menos”, ganharam um “up” com o toque da produção.

* Bem diferente de 2017, quando toadas excelentes saíram destruídas do estúdio como “Serenou Laranjeira“, por exemplo. A diferença é que em 2018, o presis red Fábio Cardoso e vice-presis  Messias Albuquerque, decidiram não brincar de renovar e renovaram mesmo (na produção do CD!).

* Ao escalar Enéas Dias e Pelado Jr. para a produção do CD, aliados a experiência e segurança de Paulinho Dú Sagrado e Alder Oliveira, a rubra diretoria acertou em cheio. Enéas se revelou o grande nome que chegou para provar que “o novo sempre vem”.

* Se tivesse nas mãos de outrora, dificilmente os “Perrechés” estariam contemplando e se deleitando com obras do quilate de “Desejo de Catirina“, que fecha magistralmente o CD. Aliás, se fosse pelo desejo de Fred essa toada estaria fora do red CD de 2018.

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* Falando em revelação, não é só de boas toadas e excelente produção que o CD do Garantido é feito. Impossível não perceber que “nasce uma estrela”, com a licença do trocadilho, na Baixa de São José.

* João Paulo Faria, o Pai Francisco, reafirmou seu status de ator e intérprete naquele que já é considerado um dos momentos mais aguardados do festival: o Auto do Boi. “JP” é um espetáculo a parte. Com a participação em “Desejo de Catirina“, chancela de vez, seu nome para futuro Amo do Boi Garantido. Alguém duvida?

* A síntese do trabalho do quarteto fantástico de produtores da Baixa do São José pode ser, claramente, identificada na toada “Kuarup – A Festa dos Mortos” – o “Lázaro” do repertório red – não só ganhou vida como também entrou para o repertório como uma excelente toada.

* De inaudível e dispensável a toada torna-se um dos grandes destaques desta primorosa produção realizada por Pelado Jr., Alder Oliveira, Paulinho Dú Sagrado e Enéas Dias. Nota 10,0 para a toada e para seus milagreiros.

* O cretino colunista destaca outras três toadas que representam o trabalho da equipe de produção da Baixa: “Cacique Ajuricaba“, “A Coisa mais Linda do Mundo” e “Décima Quarta Evolução“.

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* Para o cretino a melhor toada do rubro CD é a do Emerson Maia, “A Coisa mais Linda do Mundo“. Ela é o ápice da simplicidade tanto quanto um dispositivo cognitivo que traz à tona lembranças, momentos, emoções, paixões e remete ao Bar do Enrola num porre dos bons entre amigos.

* Contudo, a obra-prima, a alma do rubro CD, qual um selo de qualidade e excelência, é sem dúvida nenhuma “Consciência Negra“. Pelo conjunto da obra: texto, contexto, simbologia, mensagem, representatividade e atualidade.

* A obra é a “Tuiuti parintinense“: histórica, imapcatante e, pertubadoramente, reflexiva no âmbito contrário, ou seja, da exaltação negra e do negro ao invés da lamentação/segregação racial/social. Só poderia ter sido “parida” no ventre da grife do Festival, chamada Paulinho Dú Sagrado.

* O rubro CD passa longe de ser pura emoção instantânea e sublime. Porém, está longe de ser um iceberg. É uma obra cirurgicamente técnica, talvez isso o faça parecer “sem emoção” e seja o ponto negativo da obra. Aí entramos nos domínios da subjetividade de quem o ouve.

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* Abrir o CD com “Nasci pra Ser Vermelho” e fechar com “Desejo de Catirina” foi uma decisão mais do que acertada. De fato, pode-se ouvir o rubro CD do início ao fim.

* Entre as grandes obras, os destaques são: ” O Sonho de Kanipaye-ro”, “As Cores da Fé”, “Prece Cabocla” e “Perrechés do Brasil“.

* Aliás, “Perrechés do Brasil” já cristalizou-se como o grande sucesso da Baixa e hit desta temporada. Por que o cretino colunista faz tal afirmação? A seguir…

* Quando se está sentado na arquibancada do Carnaboi, em Parintins, e uma criança por volta de cinco anos a canta inteira nos intervalos das atrações/trios (a única demo de 2018 tocada no evento!) É porque a toada pegou de jeito e veio pra ficar.

* Entretanto, o cretino colunista acha precoce apontar tal toada como um hit nacional. De fato, é um hit. Mas, nacional ainda não é. Isso não significa que a mesma não poderá ser, pois tem potencial para tal e vale lembrar que a Sapucaí é grande.

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* É digno de registro, também, a magistral interpretação do rubro levantador Sebastião Jr. Um trabalho seguro, maduro e marcante do “Show Man” do Festival. Imprimiu doçura, força, emoção, alegria e drama onde foi preciso: na medida certa!

* Não é exagero afirmar que no final de 2017 e neste início de 2018 o rubro presis Fábio Cardoso tomou a dianteira pra si. Bem ao seu estilo presidencial: calado, tranquilo e perigoso!

* Pois vejamos: pagou os compositores no ato da final do concurso, ficou na fila do ABM Studio e apresentou à Nação Red o CD, e as coreografias, 2018 antes do rival.

* Falando em coreografia, os coreógrafos do Boi Garantido gabaritaram na prova. Montaram “coreós” fáceis, dançantes e descomplicadas. Parabéns a todos os coreógrafos da Baixa liderados por Marcos Moura. Nota 10,0.

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* Não só de surpresa blue viveu o fim de semana na ilha dos Bumbás. Teve surpresa red durante a audição das toadas 2018: o desafio “Boi de Pequim”.

* De autoria de Fred Góes, o desafio não é nenhuma 5° Sinfonia de Beethoven. Contudo, desempenha bem o seu papel de desafio: o de tirar sarro.

* É uma alusão, por assim dizer, ao “Pato de Pequim” um dos mais famosos pratos da culinária chinesa e uma sátira à viagem do presis blue ao país asiático.

* O desafio traz algo inédito na recente e moderna história do Festival: a sátira a um presidente. Antes, só itens, logradouros, fundadores, situações e apoiadores rendiam desafios calorosos.

É só…

Por hoje!

Até a próxima…

#SouVitima!