Repertórios 2018: para todas as tribos, amém!

Por Nárnia!

As trilhas sonoras da Francesa e da Baixa do São José, para o Festival deste ano, estão mais do que definidas e difundidas no mundo bovino, porém cão mais cão do que bovino e dividido entre azul e vermelho. Nessa disputa tribal todas as tribos estão representadas… Até as mais fundas!

 

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REC

O Boi Garantido divulgou esta semana que dará início ao processo de gravação do CD “Auto da Resistência Cultural” na segunda quinzena deste mês com duração de 30 dias.

REC II

Os trabalhos de produção do CD “Sabedoria Popular – Uma Revolução Ancestral” reiniciaram esta semana a todo vapor. O processo está na sua fase final, ou seja, nos últimos ajustes.

BLUE

O repertório do Boi Caprichoso é complexo, harmônico e contextual. Mais da metade de suas obras são resultados da ação [aposta] direta do Conselho de Arte que agiu como um verdadeiro produtor musical ratificando a revolução (artística) a qual propôs.

 

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BLUE II

A tônica do Conselho de Arte, na montagem deste repertório, foi o de musicalizar, de fato, a cerne do  projeto de arena tornando-o a inspiração maior e a máxima prioridade ao beber na fonte cuja nascente foi a “A Poética do Imaginário Caboclo“.

BLUE III

Esta ação resultou em uma “novidade” expressiva: a “desconstrução” de algumas obras visando o momento exato da apresentação. Exemplos cabais disso são as obras “Boto Romanceiro” e “Traidor“, ambas dos compositores Ronaldo Barbosa e Simão Assayag.

RED

O repertório do Boi Garantido é político, popular e pontual. Suas obras refletem a visão e o pensamento da rubra Comissão de Arte, que amarrou o repertório ao tema com nó de marinheiro, sob uma ótica mais do que atual. E, por que não dizer:  contemporâneo?

RED II

Uma trilha sonora montada para resistir [e anular] ao avanço, sobre tudo artístico, do rival. Resistência, consciência, diversidade e tradição cultural são as principais tônicas do rubro repertório.

RED III

O rubro repertório está evidenciado e, altamente, representando, de forma inequívoca, na trinca de ouro: “Auto da Resistência Cultural” dos compositores Vanderlei Alvino e Demétrius Haidos; “Consciência Negra” do compositor Paulinho Dú Sagrado e; “Cores da Fé” dos compositores Enéas Dias, Marcos Moura e João Kennedy. 

 

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– Curumim alesado: pano rápido?

– Manda, meu velho!

– Se todo mundo é mais feliz no Garantido e se no Caprichoso eu sou muito mais feliz. Porque tanto troca-troca?

– Ora, pois. O dinheiro pode não trazer felicidade, mas sem ele todo mundo é muito mais infeliz (lá e cá).

– Off Line.

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Dando continuidade à tradição do cretino colunista de analisar os repertórios blue e red montados, em versão demonstração, o mesmo gostaria de ratificar e salientar duas questões: 1. A análise é estritamente à [toada] DEMO selecionada e não às NÃO  selecionadas (com ou sem comparação!) e; 2. A figura, pessoa, biografia, e ou a discografia do COMPOSITOR [que não será(ão)  informado seu (s) nome (s)] não está em análise tampouco insere-se no âmbito da mesma, portanto sem “mimimi”, choro, cobranças e ceninhas. Dito isto vamos lá:

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Caprichoso 2018: “Sabedoria Popular – Uma Revolução Ancestral”.

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* É Dia de Boi: excelente toada. Alegre, vibrante, dançante e pra cima. A mais comercial de suas “co-irmãs”. Nota: 10,0;

* Yanomami – Apocalipse Xamânico: um bom ritual. Bem escrito com nuances melódicas e harmônicas interessantes. Nota: 10,0;

Traidor: ritual desconstruído, muito bem escrito, cheio de “bosssas” e firulas. Com um ar de suspense, ira e fúria. Nota 10,0;

* Terror das Noites: lenda interessante. Bonita letra, com momentos crescentes e o arranjo com metal é o diferencial. Nota: 10,0;

* Terra – Mãe Ancestral: linda toada. Tem letra, pegada, conteúdo, contexto e conceito (musical e harmônico). Nota 10,0;

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* Sissa – Uma História de Amor: inicio um tanto quanto fúnebre (pra baixo!) depois um “refrão” fundo (…cavalo….cavaleiro) e por fim uma voz feminina anasalada. Nota: 6,0;

* Revolução de Um Povo: Toada gostosa, autodescritiva, letra bem “costurada” que atinge o ápice no refrão. Nota: 10,0;

* O Boto Romanceiro: belíssima letra. Um capricho em [des] forma de toada. Nota: 10,0;

* Misticismo – A Revolução: show! É figura típica que vocês querem? Então, toma! Um tapa com luva de pelica, resultado de talentos e do mais perfeito casamento entre letra, arranjo e melodia. Nota: 10,0;

* Azulou: o contexto da toada é um tanto confuso, mas possuí uma boa pegada e um refrão gostoso. Nota: 7,0.

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* Lendária Boitatá: lenda pra cima, com pegada e boa letra. Possuí nuances bem legais e um refrão incendiário. Nota: 10,0;

* Imbatível Galera: uma típica toada de galera como deve ser: refrão forte, letra chiclete, alto astral e vibrante. Nota: 10,0;

* Furacão Azul: ritmo gostoso, letra boa. Possuí uma pegada gostosa e ritmo contagiante. Nota: 10,0;

* Dowari – Caminho dos Mortos: excelente obra. Letra forte, bonita e com umas pegadas “zen” e um refrão “duka”. Tirando o arranjo inicial de “Caminho das Índias“, um show de toada. Nota: 10,0;

* Deusas da Guerra: ótima lenda. Contexto bacana, abordagem na medida e um bom arranjo. Nota: 10,0;

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* Boi de Negro: sensacional e espetacular  é pouco para essa obra. Letra, conceito, contexto e arranjo arrebatadores. Nota: 10,0;

* Artesã – O Saber Ancestral: linda em sua mensagem, pegada cabocla e a singeleza de sua letra. Nota 10,0;

* Ancestralidade: é o tema “decifrado” em letras “garrafais” e em notas/acordes musicais. Nota: 10,0;

* Amado Touro Negro: letra gostosa, levada contagiante e irreverente. Nota: 10,0;

* Divina Senhora: uma linda canção em amor e devoção à Nossa Senhora do Carmo. Nota: 10,0;

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* Festança Multicultural: Fantástica! Apoteótica. É, de fato, não só o maior show da Terra como também o de toada. Nota: 10,0 (com valor de 1.000).

* Sou a Galera: apesar do refrão inicial ser por demais infantil é uma toada que “gruda” na cabeça, devido à letra fácil,  batida e clichê. Nota: 7,0.

* Azul do Meu Amor: legal, boa letra, fácil e com um refrão bem bacana. Nota: 8,0.

Conclusão: o repertório blue é muito forte, bem pensado e elaborado. Algumas obras encheram linguiça, mas ficam a desejar no contexto, no conceito e até na intenção. No geral, pode-se afirmar que o Boi Caprichoso possuí repertório para o bicampeonato, onde suas toadas genéricas são vibrantes e contagiantes (mesmo uma ou outra sendo “funda”) e suas estratégicas, em sua maioria esmagadora, são concisas, complexas e dignas de aplausos. Nota: 9,5.

Garantido 2018: “Auto da Resistência Cultural”

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* Resistência da Arte: ótima figura típica. Letra que se encaixa, perfeitamente, ao tema e ao seu contexto. Nota: 10,0;

* Exército Vermelho: típica toada de galera. Letra fácil, chiclete e com um forte refrão. Além, de possuir um bossa/interação com a própria galera. Nota: 10,0;

* Cores da Fé: linda toada. Letra atual, forte, conceitual e o batuque afro do arranjo é a cereja do bolo. Sem falar no gancho “Kaô”. Nota: 10,0;

* Perrechés do Brasil: toada gostosa, com pegada, balanço, gingado. Letra fácil que gruda. Nota 10,0;

* A Força da Tradição: toada genérica gostosa de ouvir e de cantar. Passa uma representatividade com um letra pontual. Nota: 10,0;

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* Guardiões da Realeza: belíssima toada. Letra profunda, amorosa e sentimental. Uma das mais belas desta safra. Nota 10,0 (com louvor);

* Estandarte Perreché: toada hit, sem dúvida! Letra fácil, andamento gostoso e refrão forte e chiclete. Nota: 10,0;

* Décima Quarta Evolução: letra composta cirurgicamente. Tem compasso, rima e contexto melódico e poético. Além de um refrão bem popular. Nota: 10,0;

* Consciência Negra: a mais bela toada de 2018 pelo conjunto da obra (letra, harmonia, melodia, canto). Mas, sobretudo pela mensagem afirmativa e reflexiva. Nota 10,0 (com valor de 1.000);

* O dom de um Sacaca: boa figura típica. Letra interessante, mas com um porém: a “fala” do Sacaca é um tanto quanto hilária/desnecessária. Nota: 9,5.

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* Prece Cabocla: um primor de toada, de letra e de mensagem. A primeira vez que a ouviu o cretino colunista foi às lágrimas por despertar sua memória afetiva à tradição, hoje um tanto esquecida, de tomar bênção dos pais ao sair, chegar, no cair da tarde, ao deitar e ao acordar. Nota: 10,0;

* Karup – A Festa dos Espíritos: um ritual básico. A letra parece um trabalho de 5° série com um arranjo tímido quase inexistente. Nota: 5,0;

* O Sonho de Kanypaye-ro: ritual fantástico. O melhor da Baixa. Letra muito bem escrita, métrica sem espaços ou buracos. Arranjo gostoso, backs impecáveis: toadão “duka”! Nota: 10,0;

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* Nasci pra ser vermelho: ótima toada. Letra gostosa, fácil, emotiva, popular e sentimental. E pra arrematar um bonito refrão chiclete. Nota: 10,0;

* Matinta: maravilhosa. Letra com uma pegada sinistra e aterrorizante; bem escritas, bossas geniais e um gancho que envolve (Quem será? Quem será?). Nota: 10,0;

* Etnias: toada forte e bonita, certamente Toada, Letra e Música em uma das noites, arranjo, contexto e conceito visceral e resistêncial. Nota: 10,0;

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* Esvoaçar da Resistência: belíssima! Um primor de toada, letra, mensagem e de interpretação. Que melodia mais gostosa de ouvir e de cantar. Nota: 10,0;

* É junho, é Festa!: toada tradicional, de boizão, pra chorar, tomar porre e brincar de boi. Na simplicidade dos seus versos é linda. Nota: 10,0;

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* Cacique Ajuricaba: boazinha, vai. A letra é até simpática [didática até!] O refrão condiz ao todo. Nota: 5,0;

* Auto da Resistência Cultural: é a síntese do tema. Letra precisa, pontual e muito bem escrita. Arranjo bacana e um refrão forte e fácil. Nota: 10,0.

Conclusão: o repertório red é forte, bem amarrado e tradicional. No geral, pode-se afirmar que o Boi Garantido possuí repertório para reaver o título de campeão onde suas toadas genéricas, (em sua maioria) não primam pelo ritmo contagiante, são mais profundas. Isto é, primam pela emoção e pelo coração e suas estratégicas (com exceção de uma ou outra totalmente dispensável) são pontuais, contextuais e, maravilhosamente, atuais. Nota: 9,0.

É só…

Por hoje!

Até a próxima…

#SouVitima!